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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Creia-me - penso em ti...

 

Creia-me

Nas muitas horas que o dia tem – penso em ti

 

Penso em ti

Nos momentos mais inoportunos

Penso em ti todos os segundos

 

Penso em dia que faz sol

Em dias que a chuva a tudo inunda

Em dias que não se vê ninguém na rua

 

Creia-me

Posso ver-te nos carros que passam

Nos namorados que se abraçam

Até naqueles que se acham

Separados de seu grande amor

 

Creia-me

Penso em ti que não deves viver sem mim

Pois penso que

Sem você não tem como eu existir

 

sábado, 14 de setembro de 2019

NÓS DOIS




Somos diferentes
Um é dia
O outro outono
Às vezes nos encontramos
Entre o caminho e o sonho

Você me adoça
E eu te cultivo
Às vezes me afoga em sorrisos
Mas eu te acalmo
E quase sempre não consigo...

terça-feira, 26 de março de 2019

O Futuro é Uma Barata...








Houve um dilúvio
E o mundo mudou
Houve a mudança de paradigmas
E o dilúvio começou

Uma enxurrada de miolos moles restarão...

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A VERDADE PELA RUA...

Pode parecer que não
Que as ruas cinzas não tem coração
Que as avenidas não tem direção
Pode parecer que não

Pode parecer que é ruim
Que as luzes frias de neon não tem calor
Que o painel de led na esquina é um terror
Pode parecer que é ruim

Pode parecer que sim
Que tudo na cidade seja um tropel sem fim
Que as pessoas não queiram nem saber de mim
Pode parecer que sim

Mas tudo é uma mensagem
A rua cinza é tua paisagem
As avenidas vão pra tua garagem

E quem sabe não seja a sua dor
Que as luzes frias expressem sem calor 
Que o painel de led espalhe sem amor...




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O Homem - Uma Barata E Sua Vereda...


A ultima pétala da flor caiu, como uma bomba atômica
Seu pólen, sua cor caem ao chão inaugurando uma época triste
O sol que brilhava para sua fotossíntese ficou sem porquê
O solo que lhe dava energia enfraquece, empobrece, então desiste

A morte chega e leva a tudo sem um adeus sem um até mais
Os pássaros mudos e apáticos há muito tempo pararam de voar
As nuvens estáticas sem o vento derretem suas ultimas gotas de água
O ar começa a pegar fogo, e tudo que era vivo começa a se dissipar

O horizonte, antes vermelho pelo por do sol, é só fogo rubro
Que queima as florestas e campos e cidades inteiras, levando pro céu
O sol esquenta o planeta e os mares evaporam, e as montanhas choram
Os rios que antes corriam são como valas fúnebres ao léo 

Não há saída para os animais, tudo definha em cinza e preto e carvão
Tudo o que era belo na natureza  decompõe, desmancha e se prosta sem vida
Ao longe um som diferente, pouco mais além, no céu um grande clarão
É a presença de gente, é a fuga do chamado homem em uma grande nave colorida

Vão todos os sobreviventes os escolhidos, vão destruir outro planeta
Vão em busca do novo, um novo lar, vão acabar com outras guaridas
Ele segue como um Deus, Ele, um verme, insaciável, uma barata e sua vereda
Segue sua trilha de destruição, de morte, predando o que chamamos de vida...

AS CHUVAS DO CALENDÁRIO



As chuvas obedeceram o calendário
E dezembro estava molhado – como sempre esteve
Tudo o que não nascia estava brotando
Tudo o que era poeira estava verde

As chuvas caíram de nuvens baixas
As águas desceram das serras azuis – carregando tudo
As águas ganharam as calhas dos rios
E o rio ganhou o mundo

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sem Cinto e Sem Freios...

Me preocupa nosso rumo,
Assim sem freios, para o nada
Abrindo pontes e estradas
Em segundos, pátria amada,
noutra hora, submundo.

Quando Tupã Olha - Hoje Ninguém Chora...

Tupã balançou os ipês
Fez a chuva refrescar o chão
Dos ipês espalhou suas flores
Com a água lavou minhas dores
Renovou meu velho coração

Tupã fez o sol me secar
Fez um chá pra curar as feridas
Com a luz que invadiu os meus olhos
Com a camisa feita de abrolhos
Envolveu de calor minha vida

Coração Transbordou - Rio Encheu Que Desaguou...

Quando o Aquidauana transbordar 
Vou navegar em seu quintal
Entre as mangas verdes de seu olhar
Ancorar sem dar sinal

Aportar seguro
Tomar posse de todo lugar

Quando o Aquidauana transbordar
Vou navegar em sua rua
Feito a luz que vem deslizar
Acariciar tua pele nua

Alto mar, eu juro
Nunca mais procurar

Quando o Aquidauana transbordar
(Foi por muito eu ter rezado)
E transpor os muros de teu altar
Quero rezar ao teu lado

Devotar, tão puro
Meu ser que há tanto amar...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

MEU JEITO - FIZ NO DIA A DIA...

Gosto dos sons da natureza
Da história de nosso povo
Da comida de comitiva
E do som do berrante choroso

Gosto do vento que a chuva traz
Do cheiro de terra molhada
Do abraço de minha amada
Do frescor do dia úmido como um beijo fugaz

Gosto da folha quando balança no fim de tarde
Do gosto da bocaiúva, do gosto do tereré
Gosto de abrir a boca quando o sono invade
Gosto de acreditar em Deus e de ter fé

Gosto de ouvir uma gargalhada
Do cheiro de café que vem da cozinha
Gosto de não ter preconceitos, nem muros
Isso é o que me faz seguro...




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

DEPOIS DO QUEBRA TORTO...

Bebeu do leite morno
Tirado agorinha das tetas
Madrugada é noite ainda
E o quebra torto já esta na mesa

O arroz carreteiro e a farinha
O feijão no fogão de lenha
A mandioca que se desmancha
A aurora que se desenha

O cavalo dispara e já faz poeira
O vento faz curva na invernada
Parece um retrato na parede
Essa lida pantaneira da boiada

Ê boi
Ê boiada
Longe se ouve

Gritos da peonada

Cultura, Educação e Arte - Quero Minha Parte...

Não quero ser um ator de novelas
Ou ser um padre pra rezar novenas
Não quero ser um pintor de aquarelas
Ou um herói que se vê nos cinemas

Eu quero ser o melhor que consigo
Nem pobre nem rico
Quero a parte que me cabe
Mas quero fora desse circo

Não me ponha freios que não sou animal
Não me discipline que não sou bonifrate
Não me diga que eu quero o carnaval

Eu quero cultura, educação e arte

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O REI PELUDO - PELADO USA VELUDO...

O Rei na grande piscina pensa que é peixe
Bate as barbatanas e se assanha
Com a possibilidade de subverter a natureza
De ser peixe embora seja só propaganda

O Rei flutua sobre a sua ignorância
Em pleno 2017 acredita em contos dos Grimm
De vampiro a mocinho com pistolas de chumbinho
O pobre menino não leu o livro até o fim

O Rei não sabe nada sobre movimentos
Se o povo põe alguém esse alguém escreve o epitáfio
Se o Rei se impõe o povo altera o ultimo parágrafo
E acaba dono do poder sem deferimentos

O Rei na grande piscina é uma isca
Onde jogam seus anzóis grandes e poderosos
Quanto mais vorazes maiores os dividendos
Maiores as perdas e os traidores impiedosos

A isca é para ser comida em nome do anzol
O anzol é engolido em nome da maldita fome
A fome é criada, funcionária, agente, subalterna
Do rei que é criado, funcionário, agente, subalterno do homem

O homem inventou o capital
E se deu mal...

terça-feira, 2 de maio de 2017

O QUE NÃO MUDA NO MUNDO É VOCÊ...


O sol nasce cada dia
E faceiro irradia seu calor
E ninguém desconfia que mudou
Vem de outro ponto e outra rota
Não respeita a mesma cota
De calor, de luz e intensidade.

Faz conluio com o clima
Com as nuvens e com a chuva
Não anda de luvas nem amacia
Quer mudar muda quer ficar fica
Dá uma lição a quem explica
Sem saber o que não sabe

Só o que não muda nessa terra
É o ignorante que não berra
Morre calado apostando no escuro
Erra e não aceita entregar os pontos
Fica feito tonto batendo em espinhos
O que podia ser um novo caminho
Vira buraco onde ele se enterra...

sábado, 10 de setembro de 2016

MEU VÔO SOLO - TALVEZ NEM SAIBA VOAR...


Pensei ser nuvem de algodão
Branca passagem pelo céu
Esqueci o nome do cidadão
Me lembraram de um tal Rangel

Absorto vejo sobre os montes
Campos abertos pelo trator
Abrindo novos horizontes
Com mais dor, com mais calor...

Passarinhos azuis e verde esperança
Desistiram de voar
Estão em cestos de lixo, revirando a lambança
De homens feito para arruinar

Pensei ser passarinho livre no céu
Mas alguém me acordou e cai do muro
Voltei a ser um Rangel
Mais um homem destruindo o mundo.

A cada papel de bala jogado pela janela do carro
A cada sacola de mercado boiando nos rios
A cada eletrônico pelas ruas descartado
A cada vez que finjo não ser comigo

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O TUCANO E MINHAS GOIABAS...



Parece uma matraca
Chega e alvoroça a manhã
Veio de olho em minhas goiabas
Olhos brilhando qual aldebarã

A goiabeira nasceu assim
Sem eira nem beira trazida por um seu
Caiu ao solo a semente, achou amparo
aquietou-se, despertou, floresceu

Esse tucano é velho conhecido
Visita também o vizinho e suas bananeiras
Faz um alvoroço, tem medo de perder o pescoço
Só começa a comer quando sente firmeza

A goiabeira esse ano estava feliz
Produziu belos frutos, doces pecados
Tão bem fez que virou chamariz
De tucanos, sabiás e periquitos mal educados

Os periquitos, esses bagunceiros
Além de comer toda a produção
Fazem um alvoroço, uma algazarra
E a sujeira esparrama pelo chão

Eu aqui, de minha varanda
Sigo o voo, viro pássaro imaginário
Ao morder uma goiaba madurinha
Sigo o mesmo itinerário...




segunda-feira, 6 de junho de 2016

O Brasil é Uma Árvore - Pau Neles!

Quando havia quem o amava
E corriam por entre a selva, o rio e o mar
E dançavam suas danças agradecendo o sol
E tudo funcionava, chegaram os que vinham dizimar

De além mar vieram sujos, fedidos e arrogantes
Aqui eram milhões de habitantes
Índios! gritaram, selvagens! proclamaram
E aprenderam a tomar banho e se deleitar

Quando os que aqui amavam foram violentados
Mortos, dizimados, sobrou a selva, a mata e seu tesouro
E os sujos e fedidos derrubaram tudo o que era achado
Chamavam de Pau Brasil - aquele imenso canteiro de ouro

Hoje os sujos e fedidos continuam sua saga
Querem a Petrobrás - o seu ouro negro
Querem o poder dos reis no congresso e na bala
E dizimam sonhos, democracia e outros enredos

Os que amavam aqui, como ontem, estão dizimados
Desamparados fogem para a puta que pariu
Choram todos os limites de civilidade (que caem pela violencia)
Choram a nova morte de nosso amado Brasil

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Tô de Volta!!!

Depois que a vida me atropelou
Me mastigou, me engoliu e vomitou

Depois que a vida me corrigiu
Me despiu, me redimiu e desistiu

Depois que a vida me abandonou
Me achacou, me caluniou e aceitou

Estou de volta como voltam
As crises renais...
Estou de volta como voltam
As contas mensais...

Estou de volta como voltam
Os renitentes, os insistentes
Estou de volta porque não consigo ficar longe de minha gente...

sábado, 1 de junho de 2013

Epitáfio e Silêncio - Talvez Reconhecimento...



Depois de morto
Não quero reconhecimento
Só uma lápide de cimento...

A Saudade Fuma Muitos Cigarros

A saudade fuma muitos cigarros
A saudade toma muito café
A saudade não penteia os cabelos
Nunca toma banho
Nem sabe o que é

A saudade não sabe cantar
A saudade nem sabe sorrir
A saudade não sabe ir embora
Nem morrer
Só fingir

A saudade é dia nublado
Encontro marcado
Com dona tristeza
A saudade é olho molhado
Um sonho acordado
Com tua beleza