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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

MEU JEITO - FIZ NO DIA A DIA...

Gosto dos sons da natureza
Da história de nosso povo
Da comida de comitiva
E do som do berrante choroso

Gosto do vento que a chuva traz
Do cheiro de terra molhada
Do abraço de minha amada
Do frescor do dia úmido como um beijo fugaz

Gosto da folha quando balança no fim de tarde
Do gosto da bocaiúva, do gosto do tereré
Gosto de abrir a boca quando o sono invade
Gosto de acreditar em Deus e de ter fé

Gosto de ouvir uma gargalhada
Do cheiro de café que vem da cozinha
Gosto de não ter preconceitos, nem muros
Isso é o que me faz seguro...




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

DEPOIS DO QUEBRA TORTO...

Bebeu do leite morno
Tirado agorinha das tetas
Madrugada é noite ainda
E o quebra torto já esta na mesa

O arroz carreteiro e a farinha
O feijão no fogão de lenha
A mandioca que se desmancha
A aurora que se desenha

O cavalo dispara e já faz poeira
O vento faz curva na invernada
Parece um retrato na parede
Essa lida pantaneira da boiada

Ê boi
Ê boiada
Longe se ouve

Gritos da peonada

Cultura, Educação e Arte - Quero Minha Parte...

Não quero ser um ator de novelas
Ou ser um padre pra rezar novenas
Não quero ser um pintor de aquarelas
Ou um herói que se vê nos cinemas

Eu quero ser o melhor que consigo
Nem pobre nem rico
Quero a parte que me cabe
Mas quero fora desse circo

Não me ponha freios que não sou animal
Não me discipline que não sou bonifrate
Não me diga que eu quero o carnaval

Eu quero cultura, educação e arte

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O REI PELUDO - PELADO USA VELUDO...

O Rei na grande piscina pensa que é peixe
Bate as barbatanas e se assanha
Com a possibilidade de subverter a natureza
De ser peixe embora seja só propaganda

O Rei flutua sobre a sua ignorância
Em pleno 2017 acredita em contos dos Grimm
De vampiro a mocinho com pistolas de chumbinho
O pobre menino não leu o livro até o fim

O Rei não sabe nada sobre movimentos
Se o povo põe alguém esse alguém escreve o epitáfio
Se o Rei se impõe o povo altera o ultimo parágrafo
E acaba dono do poder sem deferimentos

O Rei na grande piscina é uma isca
Onde jogam seus anzóis grandes e poderosos
Quanto mais vorazes maiores os dividendos
Maiores as perdas e os traidores impiedosos

A isca é para ser comida em nome do anzol
O anzol é engolido em nome da maldita fome
A fome é criada, funcionária, agente, subalterna
Do rei que é criado, funcionário, agente, subalterno do homem

O homem inventou o capital
E se deu mal...

terça-feira, 2 de maio de 2017

O QUE NÃO MUDA NO MUNDO É VOCÊ...


O sol nasce cada dia
E faceiro irradia seu calor
E ninguém desconfia que mudou
Vem de outro ponto e outra rota
Não respeita a mesma cota
De calor, de luz e intensidade.

Faz conluio com o clima
Com as nuvens e com a chuva
Não anda de luvas nem amacia
Quer mudar muda quer ficar fica
Dá uma lição a quem explica
Sem saber o que não sabe

Só o que não muda nessa terra
É o ignorante que não berra
Morre calado apostando no escuro
Erra e não aceita entregar os pontos
Fica feito tonto batendo em espinhos
O que podia ser um novo caminho
Vira buraco onde ele se enterra...

sábado, 10 de setembro de 2016

MEU VÔO SOLO - TALVEZ NEM SAIBA VOAR...


Pensei ser nuvem de algodão
Branca passagem pelo céu
Esqueci o nome do cidadão
Me lembraram de um tal Rangel

Absorto vejo sobre os montes
Campos abertos pelo trator
Abrindo novos horizontes
Com mais dor, com mais calor...

Passarinhos azuis e verde esperança
Desistiram de voar
Estão em cestos de lixo, revirando a lambança
De homens feito para arruinar

Pensei ser passarinho livre no céu
Mas alguém me acordou e cai do muro
Voltei a ser um Rangel
Mais um homem destruindo o mundo.

A cada papel de bala jogado pela janela do carro
A cada sacola de mercado boiando nos rios
A cada eletrônico pelas ruas descartado
A cada vez que finjo não ser comigo

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O TUCANO E MINHAS GOIABAS...



Parece uma matraca
Chega e alvoroça a manhã
Veio de olho em minhas goiabas
Olhos brilhando qual aldebarã

A goiabeira nasceu assim
Sem eira nem beira trazida por um seu
Caiu ao solo a semente, achou amparo
aquietou-se, despertou, floresceu

Esse tucano é velho conhecido
Visita também o vizinho e suas bananeiras
Faz um alvoroço, tem medo de perder o pescoço
Só começa a comer quando sente firmeza

A goiabeira esse ano estava feliz
Produziu belos frutos, doces pecados
Tão bem fez que virou chamariz
De tucanos, sabiás e periquitos mal educados

Os periquitos, esses bagunceiros
Além de comer toda a produção
Fazem um alvoroço, uma algazarra
E a sujeira esparrama pelo chão

Eu aqui, de minha varanda
Sigo o voo, viro pássaro imaginário
Ao morder uma goiaba madurinha
Sigo o mesmo itinerário...