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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O Homem - Uma Barata E Sua Vereda...


A ultima pétala da flor caiu, como uma bomba atômica
Seu pólen, sua cor caem ao chão inaugurando uma época triste
O sol que brilhava para sua fotossíntese ficou sem porquê
O solo que lhe dava energia enfraquece, empobrece, então desiste

A morte chega e leva a tudo sem um adeus sem um até mais
Os pássaros mudos e apáticos há muito tempo pararam de voar
As nuvens estáticas sem o vento derretem suas ultimas gotas de água
O ar começa a pegar fogo, e tudo que era vivo começa a se dissipar

O horizonte, antes vermelho pelo por do sol, é só fogo rubro
Que queima as florestas e campos e cidades inteiras, levando pro céu
O sol esquenta o planeta e os mares evaporam, e as montanhas choram
Os rios que antes corriam são como valas fúnebres ao léo 

Não há saída para os animais, tudo definha em cinza e preto e carvão
Tudo o que era belo na natureza  decompõe, desmancha e se prosta sem vida
Ao longe um som diferente, pouco mais além, no céu um grande clarão
É a presença de gente, é a fuga do chamado homem em uma grande nave colorida

Vão todos os sobreviventes os escolhidos, vão destruir outro planeta
Vão em busca do novo, um novo lar, vão acabar com outras guaridas
Ele segue como um Deus, Ele, um verme, insaciável, uma barata e sua vereda
Segue sua trilha de destruição, de morte, predando o que chamamos de vida...

AS CHUVAS DO CALENDÁRIO



As chuvas obedeceram o calendário
E dezembro estava molhado – como sempre esteve
Tudo o que não nascia estava brotando
Tudo o que era poeira estava verde

As chuvas caíram de nuvens baixas
As águas desceram das serras azuis – carregando tudo
As águas ganharam as calhas dos rios
E o rio ganhou o mundo

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sem Cinto e Sem Freios...

Me preocupa nosso rumo,
Assim sem freios, para o nada
Abrindo pontes e estradas
Em segundos, pátria amada,
noutra hora, submundo.

Quando Tupã Olha - Hoje Ninguém Chora...

Tupã balançou os ipês
Fez a chuva refrescar o chão
Dos ipês espalhou suas flores
Com a água lavou minhas dores
Renovou meu velho coração

Tupã fez o sol me secar
Fez um chá pra curar as feridas
Com a luz que invadiu os meus olhos
Com a camisa feita de abrolhos
Envolveu de calor minha vida

Coração Transbordou - Rio Encheu Que Desaguou...

Quando o Aquidauana transbordar 
Vou navegar em seu quintal
Entre as mangas verdes de seu olhar
Ancorar sem dar sinal

Aportar seguro
Tomar posse de todo lugar

Quando o Aquidauana transbordar
Vou navegar em sua rua
Feito a luz que vem deslizar
Acariciar tua pele nua

Alto mar, eu juro
Nunca mais procurar

Quando o Aquidauana transbordar
(Foi por muito eu ter rezado)
E transpor os muros de teu altar
Quero rezar ao teu lado

Devotar, tão puro
Meu ser que há tanto amar...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

MEU JEITO - FIZ NO DIA A DIA...

Gosto dos sons da natureza
Da história de nosso povo
Da comida de comitiva
E do som do berrante choroso

Gosto do vento que a chuva traz
Do cheiro de terra molhada
Do abraço de minha amada
Do frescor do dia úmido como um beijo fugaz

Gosto da folha quando balança no fim de tarde
Do gosto da bocaiúva, do gosto do tereré
Gosto de abrir a boca quando o sono invade
Gosto de acreditar em Deus e de ter fé

Gosto de ouvir uma gargalhada
Do cheiro de café que vem da cozinha
Gosto de não ter preconceitos, nem muros
Isso é o que me faz seguro...




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

DEPOIS DO QUEBRA TORTO...

Bebeu do leite morno
Tirado agorinha das tetas
Madrugada é noite ainda
E o quebra torto já esta na mesa

O arroz carreteiro e a farinha
O feijão no fogão de lenha
A mandioca que se desmancha
A aurora que se desenha

O cavalo dispara e já faz poeira
O vento faz curva na invernada
Parece um retrato na parede
Essa lida pantaneira da boiada

Ê boi
Ê boiada
Longe se ouve

Gritos da peonada