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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A VERDADE PELA RUA...

Pode parecer que não
Que as ruas cinzas não tem coração
Que as avenidas não tem direção
Pode parecer que não

Pode parecer que é ruim
Que as luzes frias de neon não tem calor
Que o painel de led na esquina é um terror
Pode parecer que é ruim

Pode parecer que sim
Que tudo na cidade seja um tropel sem fim
Que as pessoas não queiram nem saber de mim
Pode parecer que sim

Mas tudo é uma mensagem
A rua cinza é tua paisagem
As avenidas vão pra tua garagem

E quem sabe não seja a sua dor
Que as luzes frias expressem sem calor 
Que o painel de led espalhe sem amor...




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O Homem - Uma Barata E Sua Vereda...


A ultima pétala da flor caiu, como uma bomba atômica
Seu pólen, sua cor caem ao chão inaugurando uma época triste
O sol que brilhava para sua fotossíntese ficou sem porquê
O solo que lhe dava energia enfraquece, empobrece, então desiste

A morte chega e leva a tudo sem um adeus sem um até mais
Os pássaros mudos e apáticos há muito tempo pararam de voar
As nuvens estáticas sem o vento derretem suas ultimas gotas de água
O ar começa a pegar fogo, e tudo que era vivo começa a se dissipar

O horizonte, antes vermelho pelo por do sol, é só fogo rubro
Que queima as florestas e campos e cidades inteiras, levando pro céu
O sol esquenta o planeta e os mares evaporam, e as montanhas choram
Os rios que antes corriam são como valas fúnebres ao léo 

Não há saída para os animais, tudo definha em cinza e preto e carvão
Tudo o que era belo na natureza  decompõe, desmancha e se prosta sem vida
Ao longe um som diferente, pouco mais além, no céu um grande clarão
É a presença de gente, é a fuga do chamado homem em uma grande nave colorida

Vão todos os sobreviventes os escolhidos, vão destruir outro planeta
Vão em busca do novo, um novo lar, vão acabar com outras guaridas
Ele segue como um Deus, Ele, um verme, insaciável, uma barata e sua vereda
Segue sua trilha de destruição, de morte, predando o que chamamos de vida...

AS CHUVAS DO CALENDÁRIO



As chuvas obedeceram o calendário
E dezembro estava molhado – como sempre esteve
Tudo o que não nascia estava brotando
Tudo o que era poeira estava verde

As chuvas caíram de nuvens baixas
As águas desceram das serras azuis – carregando tudo
As águas ganharam as calhas dos rios
E o rio ganhou o mundo

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sem Cinto e Sem Freios...

Me preocupa nosso rumo,
Assim sem freios, para o nada
Abrindo pontes e estradas
Em segundos, pátria amada,
noutra hora, submundo.

Quando Tupã Olha - Hoje Ninguém Chora...

Tupã balançou os ipês
Fez a chuva refrescar o chão
Dos ipês espalhou suas flores
Com a água lavou minhas dores
Renovou meu velho coração

Tupã fez o sol me secar
Fez um chá pra curar as feridas
Com a luz que invadiu os meus olhos
Com a camisa feita de abrolhos
Envolveu de calor minha vida

Coração Transbordou - Rio Encheu Que Desaguou...

Quando o Aquidauana transbordar 
Vou navegar em seu quintal
Entre as mangas verdes de seu olhar
Ancorar sem dar sinal

Aportar seguro
Tomar posse de todo lugar

Quando o Aquidauana transbordar
Vou navegar em sua rua
Feito a luz que vem deslizar
Acariciar tua pele nua

Alto mar, eu juro
Nunca mais procurar

Quando o Aquidauana transbordar
(Foi por muito eu ter rezado)
E transpor os muros de teu altar
Quero rezar ao teu lado

Devotar, tão puro
Meu ser que há tanto amar...