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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Em Cantos – Aos Cantos...

Canto desprovido de qualidade
Olhos azuis de felicidade
Canto por amor

Canto de coração sem travas
Como o grito do guerreiro em batalha
Canto por ser verdade

Canto sem ter pendor
Sem nenhum pudor
Nem meço palavras

Canto pra libertar fantasmas
E ao cantar a tristeza se cala
Em cantos de toda sala
Canto mais minha canção

sábado, 7 de maio de 2011

O Quadro Que Eu Pintaria – Nossa Alegria...

O pincel que pinta meus dias
Perdeu as cerdas
E já arranquei os pelos da cabeça
Tentando achar alegria

As cerdas de um bigode velho
Despontam em branco num sorriso amarelo
E tudo que era belo no mundo
Ficou cinza da cor da bacia

A bacia encheu do choro meu
Nem sei mais por quem choraria
Só sei que chorei pelo teu eu
Que eu tanto queria.

terça-feira, 29 de março de 2011

Pelo Pão Sem Poesia - Vai-se Mais Um Dia...

Esqueci-me de ser poeta
Duros dias esculpi sob o suor
Aprendi esgueirar-me entre as frestas
De apanhar, e apanhar, e ser pior.

Esqueci-me de viver suavemente
Emudecido contemplar o arrebol
Desde o orvalho saciar a mente ardente
Dessa paixão, fogo meu de intenso sol

Esqueci-me de viver, agora sei
Preocupado em ganhar poucas moedas
Antes vivia, peito aberto, feito um rei
Hoje, mendigo, passo as horas frente à tela.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Em 2011 Tudo Vai Pintar - Vou Mudar a Cor de Tudo...

A cor do vazio
Branqueou minha cabeça
Até você pintar...

sábado, 25 de setembro de 2010

Não Antecipo À Minha Morte - Meu Melhor Lance De Sorte...

Não antecipo à minha morte
O choro de minhas derrotas
Meu melhor lance de sorte
A força de preces devotas

Não antecipo à despedida
O lamento de minhas dores
Minha lágrima mais sentida
A grandeza de meus amores

Não antecipo à saudade
A alegria de meus sorrisos
A certeza de minhas verdades
O amor de meus amigos

Quero ao descer à terra
O choro, as preces dos fortes
A última lágrima sincera
O último adeus de morte

Quero a volúpia do adeus
E num breve ato final
O aceno dos meus
E a derradeira pá de cal

sábado, 18 de setembro de 2010

Mais Uma Jornada - Enquanto o Tempo Acaba...

O tempo finge morrer
Enquanto decomponho
Ferro naufragado vou oxidando
Desfeito a cupins, tronco decepado
Sou água ao sol
Sob o calor dos meridianos

O tempo finge parar
Enquanto adormeço
Feito casco de navio
Vou escamando
Cresço enquanto pereço
Atrás do futuro acabando
Vou sonhando enquanto apodreço

Enquanto controlo horários
O tempo finge obedecer
Invento horas pra viver
Enquanto vivo a morrer

Entardece ou Quando o Amor Acontece...

Sob o amor,
Sombra do paraíso,
Em dia de verão
Primavera fica nua...